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Fisioterapeuta com dengue sofreu parada cardíaca e falsos médicos não souberam reanimá-la, diz polícia

Polícia prende falso médico que atuava em hospital particular na Zona Leste de SP Uma paciente diagnosticada com dengue sofreu uma parada cardíaca e morreu a...

Fisioterapeuta com dengue sofreu parada cardíaca e falsos médicos não souberam reanimá-la, diz polícia
Fisioterapeuta com dengue sofreu parada cardíaca e falsos médicos não souberam reanimá-la, diz polícia (Foto: Reprodução)

Polícia prende falso médico que atuava em hospital particular na Zona Leste de SP Uma paciente diagnosticada com dengue sofreu uma parada cardíaca e morreu após ser atendida por dois falsos médicos no Hospital de Clínicas Jardim Helena, na Zona Leste de São Paulo. Segundo a Polícia Civil, os suspeitos não souberam realizar manobras básicas de reanimação durante a emergência. Os investigadores afirmam que ao menos nove mortes são apuradas no caso e que um laudo do Instituto Médico Legal (IML) já apontou erro de procedimento como causa de uma das mortes investigadas. As informações foram divulgadas nesta terça-feira (26) pelo delegado José Mariano Filho, responsável pelas investigações da Operação Hipócrates II, que apura a atuação de dois homens suspeitos de exercer ilegalmente a medicina na unidade hospitalar. Durante a operação, a polícia prendeu o falso médico Marcos Phelipe de Barros que usava documentos verdadeiros de um médico chamado Nicolas Joseph Della Matta. O segundo investigado, Maike César Silva, fugiu para o Chile. A defesa classificou a operação como “midiática e injusta”. Segundo os advogados, Marcos é biomédico e Maike atua como instrumentador cirúrgico, o que permitiria que ambos trabalhassem em ambiente hospitalar. A defesa nega que os dois tenham exercido a medicina ilegalmente e afirmou que Maike pretende se entregar às autoridades. Polícia prende falso médico que atuava em hospital particular na Zona Leste de SP Reprodução/TV Globo Segundo a polícia, a paciente com dengue, uma fisioterapeuta, já chegou ao hospital diagnosticada com a doença e apresentava queda no nível de plaquetas — um indicativo de agravamento do quadro clínico. "Eles não sabiam como proceder. Ela passou a ficar em uma situação delicada até que ela teve uma parada cardíaca, e eles não sabiam como ressuscitar. É uma manobra muito simples para uma pessoa com conhecimento técnico realizar", afirmou o delegado. Outro caso citado pela polícia envolve uma mulher com problemas cardíacos. Segundo Mariano Filho, um laudo do Instituto Médico Legal apontou que um erro de procedimento causou a morte da paciente. “Ela ficou oito horas sem que fosse feito um exame cardíaco que apuraria que ela estava com aneurisma na aorta. Por conta desse intervalo de tempo tão longo, ela morreu”, contou o delegado. A investigação aponta que os dois suspeitos foram responsáveis por cerca de 2.000 atendimentos em dois anos, com nove óbitos decorrentes de mau atendimento, no hospital particular da Zona Leste. Inicialmente, o homem preso nesta terça começou a atuar na ala pediátrica da unidade. Apesar disso, segundo a polícia, não há confirmação até o momento de mortes de crianças relacionadas ao caso, mas as apurações continuam. O segundo investigado, identificado como Maike César Silva, também atuava em atendimentos emergenciais do Samu de Taboão da Serra, segundo a polícia. Ele é considerado foragido. “É uma pessoa sem escrúpulos”, afirmou o delegado sobre o suspeito. Ainda de acordo com os investigadores, o falso médico preso nesta terça também realizava atendimentos por telemedicina a partir da própria casa. A polícia apreendeu equipamentos usados nos atendimentos. Omissão do hospital As investigações também miram a possível omissão da direção do hospital. Segundo Mariano Filho, os suspeitos recebiam salários inferiores aos dos demais médicos da unidade, o que levantou suspeitas para a polícia. “O pagamento que era realizado para esses falsos médicos era diferenciado, a menor. Por que alguém aceitaria ser remunerado a menor? Essa é uma das características”, disse o delegado. Segundo a Polícia Civil, a direção do hospital já havia sido alertada sobre a atuação dos falsos médicos em dezembro do ano passado. A Justiça ainda determinou o afastamento da gestora do hospital e diretor clínico da unidade. Na avaliação do secretário de Segurança Pública, o delegado Nico Gonçalves, o hospital tem responsabilidade no caso, pois a direção deveria investigar o currículo dos profissionais antes de contratá-los. O que diz o Cremesp Abaixo, leia a íntegra da nota do Cremesp sobre o falso médico: "O Cremesp informa que o exercício ilegal da Medicina é um caso de polícia, uma vez que a atuação do Conselho se limita a profissionais médicos registrados na Autarquia. O Cremesp, quando identifica, por exemplo, durante fiscalização, que há profissionais se passando por médicos, ou quando o Conselho percebe tentativas de registro com apresentação de documentos falsos, como diplomas, aciona os órgãos competentes, como o Ministério Público e a Polícia. Cabe ressaltar que o Conselho disponibiliza o Guia Médico em seu site, para que empresas médicas e pacientes possam checar se o profissional que o está atendendo é médico e está com registro regular no conselho. Caso a empresa contratante tenha dúvidas em relação ao profissional mesmo após consulta pública ao Guia, ela deverá entrar em contato com o Cremesp pelos canais oficiais."

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